Na contramão da crise, setor de franquias projeta expansão de 8% em 2018 no Brasil

Franchising brasileiro tem apresentado desempenho superior ao dos setores de comércio e serviços. Microfranquias é a principal aposta para sustentar crescimento do mercado.

Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tem expectativa de alta de 1,35% em 2018, conforme a última projeção do mercado financeiro, o setor de franquias prevê expansão de 8% em seu faturamento e de 3% em número de unidades. É o que apontam as estimativas da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que promove, a partir desta quinta-feira (27), a 12ª edição da Expo Franchising no Rio.

Segundo a ABF, o franchising brasileiro responde por 2,4% do PIB e emprega diretamente mais de 1,2 milhão de trabalhadores. Com cerca de 2,8 mil marcas franqueadoras e mais de 140 mil unidades franqueadas espalhadas por todo o país, o setor registra um faturamento anual na casa de R$ 160 bilhões.

Em meio à crise econômica, o mercado de franquias tem mostrado desempenho superior ao dos setores de comércio e serviços no país. Até junho, o franchising brasileiro havia registrado aumento de 7,4% em sua receita no acumulado dos últimos 12 meses. No mesmo período, o comércio varejista viu sua receita aumentar em 3,3%, enquanto o setor de serviços registrou retração de 1,2%, segundos dados do IBGE.

Para a ABF, o desempenho do setor diante do cenário de incertezas econômica e política do país se deve ao empenho das redes em diversificar formatos e produtos para atrair novos investidores. A principal aposta do mercado tem sido as microfranquias, modelos de negócios compactos que exigem espaço pequeno e que demandam investimento de até R$ 90 mil e são voltadas para quem quer começar a empreender.

A empresária Simone Carreira, de 47 anos, que há três anos ingressou no mercado de franquias, confirma as boas expectativas do setor. Demitida de um cargo executivo após 20 anos na mesma empresa, ela viu no modelo de microfranquia a oportunidade de se reinventar profissionalmente. “Já estou na segunda unidade e já pensando em abrir a terceira”, conta.

Simone revela que sempre teve vontade de empreender, mas o emprego estável e uma carreira sólido como executiva aquietaram seu desejo. O desemprego foi a oportunidade para ela tocar o próprio negócio. “Não queria começar do zero em outra empresa. Comecei a estudar e vi que franquia era uma boa opção. É legal, porque é um modelo já testado”, diz.

Depois de muito pesquisar o mercado, ela decidiu investir numa franquia voltado ao setor de serviços de limpeza – uma empresa que agencia diaristas e mensalistas. “Identifiquei que era um mercado em expansão. Era um investimento dentro do que eu podia assumir e nos primeiros seis meses eu já tinha recuperado”, destaca.

“Estou realmente bem satisfeita, tanto em termos financeiros quanto em qualidade de vida. Existe o estresse, claro, eu não tenho salário garantido no final do mês, mas tem valido a pena”, diz.

Expo Franchising
Com foco nos novos empreendedores, a ABF espera atrair cerca de 20 mil pessoas na 12ª edição feira que realiza no Rio de Janeiro até o próximo sábado (29). Mais de 100 marcas estarão presentes no evento, que acontece no Riocentro.

Na quinta e na sexta-feira, a feira funcionará das 12h às 20h. No sábado, começa mais cedo, às 10h. Os ingressos custam R$ 55.

Fonte: G1

Franquias driblam a crise e crescem no 1º semestre no Paraná

No Estado, os segmentos de alimentação, saúde, beleza e bem estar são os principais

Mesmo com a crise persistente, um setor vem conseguindo driblar as dificuldades. O setor de franquias vem de vento em popa e fechou o primeiro semestre deste ano com um crescimento nominal no faturamento de 8,4% no País, quando comparado ao mesmo período de 2017. O faturamento passou de R$ R$ 37,565 bilhões para R$ 40,734 bilhões. Os dados são da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Neste cenário, o Paraná acompanhou o movimento e também teve ganhos consideráveis de janeiro a junho deste ano. O Estado viu crescer o faturamento de R$ 4,112 bilhões nos seis primeiros meses de 2017 para R$ 4,699 bilhões neste ano, uma alta de 14,3%, acima da média nacional. Na região Sul, houve um crescimento de 10,3% no faturamento, passando de R$ 12 bilhões.

No Paraná, os segmentos que mais impactam o setor de franquias são o de alimentação, saúde, beleza e bem estar, que, juntos, representam quase a metade do total de empreendimentos no Estado. O Paraná fechou o primeiro semestre com 5.727 negócios em franquia. Os segmentos acima totalizaram 2.7725 negócios.

No Estado eram 538 redes em atuação no primeiro semestre de 2017 e agora são 609, um salto de 13%.

A Associação Brasileira de Franchising divulga os números do franchising baseados nos resultados das Pesquisas Trimestrais de Desempenho do Setor de Franquias no País, o Balanço Anual e outros estudos relevantes que fazem uma radiografia e traçam o perfil da indústria do franchising brasileiro.

Franquias no Paraná por segmento

Alimentação

1.651

Casa e construção

537

Comunicação, informática e eletrônicos

164

Entretenimento e lazer

27

Hotelaria e turismo

113

Limpeza e conservação

125

Moda

515

Saúde, beleza e bem estar

1.074

Serviços automotivos

390

Serviços e outros negócios

332

Serviços educacionais

799

Total

5.727

Galerias de supermercado atraem desde pequenos empreendedores a grandes franquias

O funcionamento de lojas anexas aos supermercados é uma tendência que já se consolidou, especialmente por serem grandes aliadas dos consumidores, que tem fácil acesso a mais serviços em um mesmo local, otimizando seu tempo com comodidade e segurança. O crescimento do setor de supermercados – 2% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2017, segundo o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) – também significa melhora nas vendas deste tipo de ponto comercial. “Ao fazer suas compras, o cliente já aproveita para pagar contas na lotérica, fazer refeições, passar na farmácia e utilizar serviços de chaveiro, cabeleireiro, sapataria e conserto de roupas, por exemplo”, observa Paola Noguchi, diretora executiva da DCL Real Estate, empresa que oferece soluções imobiliárias em diversos setores como varejo, logística, corporate, shoppings centers e self storage.

A integração tornou o varejo um centro de compras completo, com recursos para suprir diferentes necessidades com conforto e conveniência. É uma via de mão dupla – o supermercado oferece espaço seguro e com estacionamento e as galerias complementam as soluções oferecidas no local. Paola ressalta que o custo-benefício para o empreendedor é excelente, pois o lojista tem a vantagem de contar com um fluxo garantido e maior de pessoas e a possibilidade de atrelar a imagem do seu negócio ao de uma grande marca. “Todos os imóveis da DCL ocupados por supermercados possuem espaços para lojas. O perfil dos locatários é bastante diversificado e atendemos desde pequenos empreendedores até grandes franquias”, comenta.

O Salão de Beleza Princess Hair, que atua em Curitiba há mais de 20 anos, possui uma rede com quatro unidades, sendo que uma faz parte da galeria do Walmart do bairro Juvevê. O salão, que oferece serviços diferenciados, com atendimento exclusivo e profissionais altamente qualificados, é um dos exemplos que confirmam o sucesso das galerias. Além de manter os negócios já existentes, as marcas estão ampliando sua atuação. O Boticário passou de um quiosque no Hipermercado BIG, localizado no bairro Xaxim, em Curitiba, para uma loja maior no mesmo local em junho. Para Paola, a tendência é que o mix de produtos e serviços fique cada vez mais diversificado e com a presença de marcas relevantes, elevando o nível de experiência de compras.

O conceito de last mile – ou última milha, em português – faz parte da logística das empresas e têm ganhando atenção especial do e-commerce, que ainda tem dificuldades de entregar seus produtos aos consumidores. O last mile é a última etapa da entrega da mercadoria ao consumidor final, fase decisiva do processo logístico e que determina a qualidade do serviço prestado pela loja e o seu comprometimento com o cliente. Uma das soluções para resolver questões como atrasos, extravios e alto custo do transporte é criar parcerias com lojistas que desejam se tornar um pick up point, ou seja, um ponto de retirada.

A solução é vantajosa para todos os envolvidos – o comércio eletrônico resolve os problemas com o last mile, o consumidor fica satisfeito e a loja que se torna um ponto de retirada tem maior fluxo de pessoas, com mais chances de aumentar as vendas e ainda recebe uma pequena comissão sobre os produtos entregues. Não vai gerar nenhum custo adicional para o lojista. Paola ressalta que ao se tornar um local de entrega, troca ou devolução do e-commerce, a loja tem sua divulgação ampliada e atrai novos clientes. “Eu acredito que esta é uma tendência muito forte para as galerias e se tornará realidade em breve”, completa a executiva.

Taxa de empreendedorismo sobe mais entre maiores de 55 anos

Participação de pessoas entre 55 anos e 65 que abriram negócio saiu de 7% em 2012 para 10,4% em 2016. Quase metade empreende por necessidade.

Rui Martins Rosado aos 62 anos montou sua própria startup. Com experiência de trabalho em grandes corporações na área comercial e em tecnologia da informação, Rui chegou a morar na Alemanha por conta do trabalho, mas sentiu o impacto da idade dentro das empresas.

“O mercado está fechado paras as pessoas mais experientes e isso de certa forma impulsiona o empreendedorismo”, diz. “Eu me sinto no auge da produtividade e posso dizer que tenho mais sonhos que meu filho”.

A população brasileira envelhece a cada ano. Nos últimos cinco anos, a população com 60 anos ou mais subiu de 25,4 milhões para 30,2 milhões — alta de 18,8%. A maior concentração de idosos foi registrada das regiões Sul e Sudeste, com 16,5% e 16%, respectivamente. No Brasil, essa faixa etária representa 14,6% conforme mostrou pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Um contingente que não quer ficar fora do mercado de trabalho. De acordo com dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a taxa de empreendedorismo na faixa de 50 a 59 anos foi a que mais cresceu em 13 anos (57%), seguida justamente pela faixa etária acima dos 60 anos. A participação de pessoas entre 55 anos e 65 que abriram um negócio cresceu de 7% em 2012 para 10,4% em 2016. Ainda segundo a pesquisa, 46,8% dos empreendedores com mais de 55 anos empreendem por necessidade.

“Temos de pensar na economia da longevidade, estamos vivendo mais e o modelo de aposentadoria que existia antes, aquele que a pessoa parava de trabalhar e ficava em casa já não existe mais”, avalia Vinicius Lages, diretor de administração e finanças do Sebrae. “As pessoas também perceberam que só o valor da aposentadoria não é suficiente para manter o padrão de vida e a tendência é que busquem alternativas para complementar a renda.”

Para não ficar fora do mercado, Martins colocou o plano B em ação e criou a IdCel, uma plataforma para monitoramento de atividades utilizando geolocalização e para o desenvolvimento de soluções provendo informações para os clientes. E os planos no param, para o mês de outubro está previsto o lançamento um sistema de gestão e administração de grupos de motociclistas entregadores, o Motoka.

Ainda, de acordo com pesquisas do Sebrae sobre o perfil do potencial empreendedor aposentado, ficou evidente a disposição para empreender entre aqueles que estão chegando à aposentadoria: 1 a cada 10 tem a intenção de abrir um negócio próprio nos próximos dois anos. Seja para aumentar a renda da família, seja para ocupar o tempo ou simplesmente para fazer algo que realmente gosta, para esses pesquisados, aposentadoria significa continuar trabalhando, e muito.

“Hoje faço exatamente aquilo que gosto e o principal: ajudo a fazer as pessoas felizes”, diz Claudio Gusela, diretor geral da NDVida, plataforma que ajuda empresas a melhorar a qualidade de vida e bem-estar de seus funcionários. Gusela continua trabalhando mesmo após a aposentadoria e não pretende parar tão cedo.

Executivo de multinacionais, o engenheiro elétrico buscou na experiência pessoal a motivação para criar seu próprio negócio. “Minha primeira esposa sofreu muito com depressão e cometeu o suicídio”, conta. “Foi uma fase muito difícil e eu contei com o apoio da empresa onde trabalhava para superar essa fase”.

A dificuldade pessoal associada ao gosto por esportes motivou a criar a startup que comemorou um ano de vida e cinco empresas no portfólio. “Com a crise, muitos jovens buscam oportunidades, abrem startups e número de negócios que não vão adiante é alto porque falta maturidade, um profissional mais experiente consegue transformar uma ideia em negócio de forma mais embasada”.

Tanto Gusela como Martins participaram do InovAtiva Brasil, programa gratuito de aceleração em larga escala para negócios inovadores de qualquer setor e região do Brasil, realizado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com execução da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI).

 

Mulheres

A pesquisa do Sebrae também mostra que a maior taxa de mulheres empreendedoras está nesta faixa etária: 61% dos empreendedores iniciais são mulheres.

Alice Leonardo Padilha aos 72 anos tem seu ateliê e trabalha como artesã. Ela começou a empreender depois da aposentadoria, aos 50 anos. “Eu me aposentei com 30 anos de trabalho, mas era muito jovem, comecei a ajudar meu filho que trabalhava com restauro de móveis antigos”, conta.

Aos poucos, Alice foi se ‘desgarrando’ e começou a produzir as suas próprias peças. Investiu em cursos e pesquisa, foi aprimorando a própria técnica. Usa madeira e objetos rústicos (palha de milho, fibras) em suas peças. “Pretendo colocar meus produtos na internet, mas no momento organizo reuniões e as vendas são realizadas em casa, no boca a boca.” 

Parar? “Jamais! Tenho muita coisa para criar e experiências para compartilhar.”

Fonte:  R7

Desenvolvimento de franquias depende de avanço tecnológico para se adaptar ao ambiente digital

Segundo estudo da Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com a Confederação Nacional de Serviços (CNS), a inovação foi a grande responsável pelo crescimento das franquias em 2017 (de acordo com a própria ABF, o segmento cresceu 8% em 2017 e prevê alta de 9% para 2018).

Franquias e o cenário de transformação digital

Os investimentos em inovação fazem parte de uma mudança na postura das empresas em geral que, antenadas com as demandas do mercado consumidor, iniciaram, nos últimos anos, um processo de transformação digital focado na implantação de tecnologias e soluções capazes de otimizar a eficiência operacional, aumentar a capacidade de produção e a oferta de produtos e serviços mais sofisticados.

Só no ano passado, uma pesquisa da IDC, consultoria especializada em tecnologia da informação, apontou que negócios em todo o mundo investiram mais de 1 trilhão de dólares em ações de transformações digital.

Dentro deste cenário, o mercado de franquias também tem buscado ampliar seu viés inovador. Entre 2014 e 2016, quase 92% das franqueadoras investiram na criação de algum novo produto ou serviço (números da 1ª Pesquisa de Inovação nas Franquias Brasileiras – ABF/CNS). No mesmo levantamento, 45% destas empresas informaram ter adotado novos equipamentos e softwares para o andamento dos negócios.

Com tudo isso, já é possível afirmar que sim, o universo do franchising, como um todo, já abriu os olhos para a tecnologia e a transformação digital. O segredo para os investidores é buscar marcas consolidadas, com histórico de sucesso no campo da inovação.     

O papel da tecnologia no crescimento de uma franquia

Assim como para outros modelos de negócio, a tecnologia assume diversos papéis quando o assunto é o crescimento de uma franquia. As empresas franqueadoras podem utilizar soluções, para, por exemplo:

  • Tornar mais eficientes as operações internas de uma franquia no plano da gestão financeira, contábil, de estoques, pessoas, clientes e atendimento;
  • Melhorar a comunicação com os franqueados;
  • Ampliar a oferta de produtos e/ou serviços;
  • Atingir com mais eficiência o público-alvo de uma franquia;
  • Entender as demandas dos consumidores e melhoras os níveis de satisfação e encantamento.

 

Com todos estes benefícios, é fácil entender porque os investimentos em tecnologia e inovação foram o pilar do crescimento do mercado de franquias nos últimos anos.

Fonte:  EXAME

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