Setor de franquias cresce 6,3% no terceiro trimestre

O mercado de franquias apresentou um crescimento de 6,3% no terceiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período no ano passado, segundo pesquisa da ABF (Associação Brasileira de Franchising).
Considerando os últimos 12 meses, houve um aumento de 7%. O  faturamento foi de R$ 159,8 bilhões para cerca de R$ 171 bilhões.

Todos os segmentos listados pelo órgão tiveram desempenho positivo no período. Repetindo o resultado da pesquisa do segundo trimestre, o setor que mais cresceu foi o de entretenimento e lazer, com alta de 25,2%.
Houve, no período, uma diversificação de serviços e expansão no número de unidades nesse segmento.

Em seguida, vem o setor de serviços, com 10,3% de crescimento, impulsionado pelas franquias de logística. Na terceira posição aparece o setor de saúde, beleza e bem-estar, que teve alta de 9,7%, com destaque para redes de depilação e outros serviços estéticos.

Também é ascendente o número de empregos no setor: no trimestre, a alta nas vagas foi de 6,7% -são hoje 1,286 milhão de pessoas trabalhando em de franquias.

Segundo André Friedheim, vice-presidente da ABF, a projeção de crescimento para o último trimestre é de 7%. Devem contribuir para o bom momento do setor as festas de fim de ano e o 13º salário, que incentivam o consumo.

Transformação digital tem ‘cobrado’ operações globalizadas das franquias

Alta de 118% no número de marcas brasileiras operando fora do Brasil é pouco frente ao potencial tupiniquim; compilar dados e usar e-commerce podem ser porta de entrada para novos mercados

A transformação digital e fomento à cultura de dados dentro do setor de franquias têm puxado o interesse de redes de diversos segmentos a iniciar uma empreitada internacional. Entre 2010 e 2018, o número de marcas brasileiras com presença no exterior foi de 45 para 142, alta de 118%.

Os dados, que fazem parte de uma pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF), apontam também que, entre 2010 até o momento, os destaques foram setores como informática, hotelaria e serviços (+300%); casa e construção (+280%); alimentação (+100%); e moda (+89%). Entre os países mais procurados estão Estados Unidos (46), Paraguai e Portugal (34), Bolívia (19), Colômbia (17) e Argentina (15).

De acordo com o sócio-diretor da consultoria empresarial BTR, Eduardo Terra, a possibilidade de expansão de negócios deve ser guiada pela capacidade do empresário em aperfeiçoar as plataformas de vendas online para outros países, mais conhecidas como e-commerce cross-border. “Há uma pressão global para que o Brasil eleve a oferta de plataformas deste tipo para o mundo. Pode ser um termômetro de demanda de consumidores estrangeiros por produtos brasileiros, com a possibilidade [do empresário] manter um centro de distribuição ou até abrir uma filial em outro país, se necessário”, declarou Terra.

Segundo uma pesquisa da Ebit/Nielsen, as vendas realizadas pelos comércios eletrônicos cross-border no Brasil somaram mais de R$ 12 bilhões. Esse número equivale a 20% de todo o e-commerce brasileiro. “Sabemos o tamanho do desafio para o setor de franquias para implementar essa transformação digital, mas é uma oportunidade de enxergar a concorrência e encarar as novas dinâmicas de mercado”, afirmou Terra.

Em perspectiva com o raciocínio de Terra, a diretora de franquias da rede Bibi Calçados, Andrea Kohlrausch, afirmou que o processo de transformação digital da empresa vem ocorrendo de forma orgânica e que as ações, recentemente implementadas no território nacional, podem ser aplicadas nas lojas na Bolívia e no Peru. “Já está disponível, por exemplo, a utilização da ferramenta de prateleira infinita para os nossos franqueados. Esse recurso fez, inclusive, com que o nível de engajamento dos vendedores aumentasse por meio das vendas do e-commerce”, afirmou ela, ressaltando o fato de que a plataforma está crescendo “dois dígitos” e representa 2,5% do faturamento bruto do negócio.

De acordo com a executiva, pelo fato da empresa já ter alguns parceiros estratégicos em alguns países e exportar para 70 países, a análise de dados do mercado e do perfil do consumidor local foi mais assertiva e possibilitou reformulações pontuais no portfólio.

“Logísticamente é mais fácil entrar pela América Latina. Hoje temos 3 unidades em Lima, no Peru e agora vamos abrir a primeira na Bolívia”, disse Andrea, lembrando o fato de que existe um departamento dedicado apenas às questões digitais do negócio.

De acordo com o estudo da ABF, aspectos como o investimento em canais virtuais, mídias digitais e estabelecimento de parcerias locais são determinantes no processo de êxito da expansão internacional.

Para o fundador da consultoria empresarial Varese Retail, Alberto Serrentino, tanto em um processo de expansão internacional ou nacional da marca, conhecer o perfil do consumidor local por meio da análise de dados é indispensável. “No caso do modelo de franchising, esse processo se mostra mais desafiador ainda, tendo em vista que os dados gerados dentro dessa cadeia são compartilhados para várias peças desse ecossistema.”

De acordo com ele, a possibilidade do negócio se adaptar a outros mercados só existe caso o toda a cadeia do franchising trabalhar em conjunto para absorver e interpretar as informações dos clientes, seja por meio de compras em aplicativos ou plataformas online.

Com 170 unidades no exterior, outra rede de franquias que têm investido na análise de dados é a iGUI, especializada no comércio de piscinas. “Após realizarmos a pesquisa do mercado local, caso haja necessidade, nós adaptamos o portfólio do negócio. Todos os nossos franqueados, em conjunto com o nosso escritório central, fazem ações nas redes sociais”, afirmou a diretora internacional da marca, Juliana Prado, destacando que tais mídias também desempenham papel de captação de possíveis franqueados.

Fonte: Diário Comercio Indústria e Serviço

Franquias do Futuro: As tendências do setor para os próximos 30 anos

No ano em que Pequenas Empresas & Grandes Negócios celebra 30 anos, penso que seja oportuno refletir sobre como será o franchising nos próximos 30 anos. Quais são as principais tendências que já nos fazem olhar para o setor de franquias no futuro?

Estamos vivendo um momento de inflexão na história da humanidade, no qual observamos uma completa mudança no modo de vida das pessoas. Um dos pontos relevantes é que as pessoas estão vivendo mais.

Nesse sentido, no franchising, franquias que atendam o público da terceira idade – seja no segmento de educação, saúde, alimentação, dentre outros – tendem a ocupar cada vez mais espaço. Nessa mesma linha, os negócios voltados à saudabilidade, focados na alimentação natural e no bem-estar das pessoas, também continuarão a crescer.

Outra grande tendência de negócios está relacionada à matriz energética dos países em todo o mundo. Estudos demográficos indicam que o planeta poderá ter 10 bilhões de habitantes em 2050. Com tamanho crescimento da população mundial, a utilização de fontes renováveis de energia impulsionará os negócios ambientalmente sustentáveis.

Vemos, por exemplo, redes de franquia de energia solar já em operação e outras tendem a surgir, como de energia eólica. Esses negócios aliados à economia do compartilhamento, que está na essência das redes de franquias, promoverá grandes oportunidades no franchising.

Os avanços tecnológicos estão proporcionando rápidas mudanças nas mais diversas áreas. Uma delas está relacionada aos meios de pagamentos. Participei recentemente de uma missão na China com empresários do varejo e do franchising. Lá, vimos, por exemplo, que os chineses utilizam em massa seus smartphones para pagar suas compras, via QR code, substituindo os cartões magnéticos e suas maquininhas.

O uso do big data tem feito com que, no varejo e no franchising, as empresas personalizem os seus produtos e serviços, e proporcionem uma nova experiência para este consumidor do século 21, mais antenado, exigente e conectado. Essa experiência, mais aprofundada na loja física, também se estende na loja on-line e em outros canais.

Há 30 anos, as franquias se limitavam à loja física. Hoje, elas são omnichannel. Estão em pontos de venda físicos, on-line, store in store, porta-a-porta, etc. Nos próximos 30 anos, as franquias devem estar focadas em entregar para o consumidor a sua necessidade.

O ambiente “loja física”, atualmente já reformulado, será ainda mais diferenciado, dedicado à experiência do consumidor. Talvez sejam ambientes até abertos. Teremos muito menos fricção na relação com o cliente, por exemplo, na questão dos meios de pagamentos.

A vida se tornou digital. No franchising, temos, por exemplo, redes de escolas de idiomas que ensinam em ambiente virtual, marcas que utilizam tecnologia 3D de realidade virtual, robótica... E isto é apenas o começo. Sequer sabemos até onde toda essa revolução tecnológica nos levará. O que temos certeza é de que as mudanças foram, são e continuarão a ser feitas em função do cliente – afinal, ele é o centro de tudo.

 

Fonte: Revista Pegn
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