O setor de franquias se tornou uma das principais portas de entrada para os players estrangeiros começarem a operar em território nacional. Para conquistar os brasileiros, porém, as empresas diversificaram o portfólio e reformularam pontos de atuação.

“Acredito que as grandes redes de franquias têm aprendido a entrar em países com culturas diversas. Uma das estratégias utilizadas por essas marcas diz respeito à customização do cardápio. Esse tipo de ação pode ser feito visando uma região específica do País como também no território inteiro como ocorre em alguns casos”, argumentou o presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Altino Cristofoletti.

De acordo com o dirigente da entidade, muitas franquias estrangeiras também têm preferido escolher franqueados com conhecimento do mercado local ou que tenham a experiência de operar uma marca. “É comum a busca dessas empresas internacionais por multifranqueados. Isso também resulta num melhor serviço ou produto para o consumidor brasileiro, o qual tem contato com uma variedade maior de marcas e propostas de negócios”, declarou Cristofoletti.

Nesse sentido, um dos exemplos de franquias internacionais que remodelaram as operações foi a rede de sorveterias Freddo.

“Sempre olhamos de uma forma econômica e comercial para os mercados que entramos. No caso do Brasil, optamos por trabalhar com 20 sabores de sorvete. Ao todo, pelo padrão da rede, são 38 sabores”, comentou o diretor de mercado da marca Freddo Brasil, Juliano Russo.

Segundo ele, a fim de se adaptar melhor aos hábitos de consumo dos brasileiros, houve a necessidade de apostar também em outras linhas de produto além dos sorvetes, considerados como carro-chefe do negócio. “Outra peculiaridade desse mercado é a participação da categoria de conveniência e também de cafeteria. Atualmente, os sanduíches e sobremesas representam cerca de 40% das nossas vendas totais”, afirmou Russo, ressaltando o fato de que no Brasil os clientes têm mais o hábito de consumir sorvetes dentro dos shopping centers, ao contrário do que ocorre na Argentina, por exemplo, onde esse consumo é tradicionalmente feito nas lojas de rua.

“Percebemos que o brasileiro gosta muito desse aspecto da conveniência e do ‘break’ durante o dia. Por isso, vemos o café como uma oportunidade de fidelizar o cliente e harmonizar esse consumo também com uma bolinha de sorvete”, declarou o executivo. Além disso, ele lembra que a expectativa da rede é abrir, no mínimo, mais 10 unidades no ano que vem. Atualmente, a marca conta com 26 pontos físicos no território nacional. Segundo Russo, o tíquete médio da rede gira em torno de R$ 12 e o faturamento anual está em R$ 25 milhões.

Partilhando posição similar a de Russo no que diz respeito à tendência de adaptação da marca, a diretora de operações da rede Taco Bell, Daniela Heldt, afirma que o perfil jovem dos clientes é importante para a implementação de inovações dentro da empresa.

“Temos trabalhado com bastante empenho nessa questão da inovação. No nosso cardápio, por exemplo, decidimos suavizar a pimenta”, argumentou Daniela. De acordo com a executiva, na operação brasileira, existem opções sobremesas, como por exemplo churros, e também linhas de produtos voltados para refeições para o café da manhã.

“Incluímos no nosso menu bebidas quentes e queijadinhas de presunto e queijo para o café da manhã”, diz ela, destacando que a nova loja da marca no Aeroporto de Guarulhos terá os itens novos.

Ainda segundo a executiva, “o consumidor brasileiro, tradicionalmente, é sedento por novidades” e que, por tal motivo, a marca tem um departamento focado em pesquisas para compreender as demandas dos clientes por meio das redes sociais.

Dessa forma, Daniela também diz que, após a realização desses levantamentos sobre o comportamento do consumidor, existe um contato com os fornecedores da marca para alinhar os pedidos.